A doença cardiovascular é a principal causa de morte nas mulheres em todo o mundo, e os anos em torno da menopausa são exatamente quando esse risco começa a subir — mais depressa do que o envelhecimento por si só explica. A conclusão essencial: o estrogénio mantém os vasos sanguíneos elásticos, e à medida que o seu efeito protetor se desvanece após a menopausa, a tensão arterial, o colesterol LDL e a gordura visceral tendem a aumentar. A boa notícia é que grande parte deste risco acrescido é evitável com verificações regulares e os hábitos certos. Continua a ler para perceber porque acontecem estas mudanças, como os sintomas de enfarte diferem nas mulheres, e os passos simples que protegem o teu coração em qualquer idade.

Porque o risco aumenta após a menopausa:

O estrogénio tem um efeito benéfico sobre os vasos sanguíneos, ajudando-os a manter-se elásticos. Após a menopausa, essa proteção diminui, mas a mudança não é apenas envelhecimento. O estudo SWAN (El Khoudary et al., *Menopause*, 2023) verificou que o risco cardiovascular acelera na perimenopausa tardia e no início da pós-menopausa, independentemente da idade. As alterações-chave são colesterol LDL mais elevado, tensão arterial mais alta, artérias mais rígidas e mais adiposidade visceral — a gordura armazenada à volta dos órgãos internos. Estas mudanças podem desenvolver-se silenciosamente durante anos, e é por isso que a prevenção e a deteção precoce importam tanto como o tratamento quando a doença já está instalada.

Os sintomas de enfarte diferem nas mulheres:

Os homens descrevem habitualmente uma pressão pesada clássica no peito. As mulheres sentem mais frequentemente fadiga extrema, falta de ar, náuseas, dores nas costas, no maxilar ou nos ombros e tonturas, e é por isso que os enfartes nas mulheres são frequentemente mal diagnosticados ou atribuídos ao stress, à ansiedade ou a uma simples indisposição gástrica. Se estes sintomas aparecerem, sobretudo com esforço ou em repouso, leva-os a sério e procura avaliação médica. Conhecer estas diferenças pode ajudar-te a reagir a tempo — por ti e pelas mulheres à tua volta.

As verificações que importam:

  • Mede a tua tensão arterial regularmente; o objetivo é abaixo de 120/80 mmHg, e os valores altos normalmente não causam sintomas, por isso medir é a única forma de os detetar cedo
  • Faz um perfil lipídico todos os anos a partir dos 45 anos, e pergunta ao teu médico de quanto tempo em quanto tempo precisas dele pessoalmente; o colesterol LDL tende a subir após a menopausa, e a análise mostra exatamente em que ponto estás
  • Revê o teu risco individual com o teu médico, sobretudo se a menopausa aconteceu antes dos 45 anos, o que acarreta um risco mais elevado
  • Se estiveres a considerar terapia hormonal, o momento importa: iniciada nos 10 anos seguintes à menopausa pode proteger o coração (a hipótese do momento certo), enquanto começar depois dos 60 pode aumentar o risco; a decisão deve ser tomada com o teu médico, com base no teu quadro de saúde completo

Os hábitos com maior impacto:

  • Procura fazer pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica por semana, mais treino de resistência duas vezes por semana; a caminhada rápida, a natação ou o ciclismo são pontos de partida simples
  • Segue uma alimentação de estilo mediterrânico, que tem a evidência mais forte para a proteção do coração: muitos vegetais, fruta, leguminosas, cereais integrais, peixe e azeite
  • Não fumar; deixar de fumar é uma das coisas mais importantes que podes fazer pelo teu coração, e o teu corpo começa a recuperar pouco depois do último cigarro
  • Mantém um peso saudável; a gordura visceral é o fator determinante, mais do que o número na balança, porque é o tecido adiposo metabolicamente mais ativo

Quando procurar ajuda:

Fadiga invulgar, falta de ar com esforço ligeiro, dor ou desconforto no peito, maxilar, costas ou ombros, náuseas e tonturas inexplicadas — tudo isto merece investigação rápida, sobretudo se for novo para ti. Não esperes que a dor se torne "clássica" para chamar um médico — nas mulheres os sinais podem ser subtis e podem ocorrer mesmo sem dor intensa no peito. Em caso de dúvida, uma verificação a mais é sempre mais segura do que um atraso.

Em resumo:

Após a menopausa, o risco cardiovascular das mulheres sobe mais depressa do que o envelhecimento por si só faria prever, e a doença cardíaca é a sua principal causa de morte. Verificações regulares da tensão arterial e do colesterol, movimento diário, uma alimentação mediterrânica e não fumar reduzem esse risco substancialmente. Fala cedo com o teu médico sobre o teu perfil de risco pessoal, sobretudo se a tua menopausa chegou antes dos 45 anos.